O diretor da Fundação Dom Avelar (FDA) e da Rede Excelsior de Comunicação, padre Danilo Pinto, participou nesta terça-feira, 3 de março, da Sessão Solene realizada no Plenário Ulysses Guimarães, da Câmara dos Deputados, em homenagem aos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.
A cerimônia integrou oficialmente o calendário comemorativo do bicentenário no país e reuniu os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), parlamentares, representantes do corpo diplomático e diversas autoridades civis e eclesiásticas.
Logo no início da sessão, foi exibido um vídeo institucional destacando os dois séculos de colaboração mútua entre o Brasil e a Santa Sé, sempre orientada pelo compromisso com o bem comum. A produção relembrou o esforço do Império para o reconhecimento do Brasil como nação independente após 1822, recordou as celebrações realizadas em Roma no mês de janeiro deste ano e apresentou os principais frutos dessa relação histórica, além de perspectivas para o futuro.
Relação histórica consolidada
As relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé foram estabelecidas em 1826, poucos anos após a Independência, tornando o Brasil o primeiro país do continente americano a formalizar laços com a Sé Apostólica e o quarto no mundo a fazê-lo. Ao longo de dois séculos, o relacionamento atravessou diferentes regimes políticos, do Império à República, consolidando-se em bases de respeito mútuo, cooperação institucional e promoção da dignidade humana.
Laicidade cooperativa e maturidade institucional
Em sua fala na tribuna, o cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, recordou que a Santa Sé acompanhou momentos decisivos da história brasileira, como a chamada “Questão Religiosa” (1873-1875) e o Decreto 119-A, de 1890, que oficializou a separação entre Igreja e Estado, extinguindo o regime do padroado.
Segundo o cardeal, a separação não significou ruptura, mas amadurecimento institucional, consolidando no Brasil um modelo de laicidade positiva, no qual Estado e Igreja são distintos e independentes, mas colaboram reciprocamente em favor da sociedade.
O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, ressaltou que o bicentenário é ocasião para recordar um caminho espiritual e humano no qual a diplomacia esteve a serviço da paz e da dignidade da pessoa humana. Ele destacou que, ao longo de 200 anos, as relações atravessaram profundas transformações políticas e sociais, mantendo como fundamento a centralidade da pessoa humana.
Mensagem do Papa e presença do Núncio
Durante a sessão, o Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, representante do Papa no país, leu a mensagem enviada pelo Papa Leão XIV. No texto, o Santo Padre destacou a longevidade de uma amizade autêntica entre Brasil e Santa Sé, capaz de se adaptar às transformações históricas, e reconheceu o empenho de diplomatas e eclesiásticos na construção dessa relação.
O enviado especial do Papa para as comemorações, cardeal Lorenzo Baldisseri, também enfatizou que o bicentenário representa não apenas um momento celebrativo, mas oportunidade de revisão da história comum entre Igreja e Estado no Brasil, ressaltando a importância do Acordo Brasil–Santa Sé, assinado em 2008 e promulgado em 2010, como expressão de maturidade jurídica e respeito ao modelo constitucional de laicidade.
Imagem: Padre Danilo Pinto


