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É preciso pensar na paz: panorama da conjuntura da violência na Bahia

Carros blindados, operações policiais, inúmeros tiroteios, mortes, chacinas e um cenário nunca imaginável pelos soteropolitanos pôde ser vivido durante os últimos meses. Em julho deste ano, foi divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública que a Bahia lidera o ranking nacional com o registro de 6.659 mortes violentas intencionais em 2022. Dentre os tipos estão: homicídios dolosos (incluindo feminicídios, que são homicídios qualificados), lesões corporais que terminam com morte e latrocínios.

Conforme os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 50 cidades mais violentas do país, 12 estão no estado baiano, Jequié tem média de 88,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Já a cidade de Salvador, de acordo com o “Atlas da Violência – Retrato dos Municípios Brasileiros 2019”, é apontada como a quinta capital brasileira mais violenta do país, com uma taxa de homicídios de 63,5 a cada 100 mil habitantes em 2017. As mortes em operações policiais na Bahia também foram computadas com destaques ao aumento de 1.464 casos em comparação com 2022 que houve o registro de 315 registros.

Diante do atual cenário, o professor e coordenador do programa Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Samuel Vida, destacou à DW Brasil que a violência na Bahia também tem a disputa territorial como influência. “Há uma intensa movimentação de disputas territoriais, tanto no interior, como na capital, que implicam novos arranjos criminosos arquitetados através de conflagrações de elevada intensidade, com alto custo de vidas, além da disseminação da violência e medo entre as comunidades mais atingidas”.

No mês de agosto, um acordo entre a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) e a Polícia Federal (PF) foi assinado, e assim surgiu a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), dos governos estadual e federal, com o objetivo de reforçar o combate a grupos criminosos. O prazo de vigência do pacto é de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. Neste contexto, em setembro foi lançada a Operação Paz na Bahia e foi coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Realmente, a Bahia vive um dos seus piores momentos, como pontuou o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Flávio Dino, em entrevista à Agência Brasil “é um dos maiores desafios da segurança pública no país”. O ministro veio à Salvador no último dia 05 de outubro, e anunciou o que destinará R$ 134 milhões para o governo estadual da Bahia a fim de promover ações voltadas à segurança pública no que diz respeito à compra de viaturas, no projeto Escola Segura, para melhorias no sistema penitenciário e para ações de combate à violência contra a mulher.

O conflito bélico existente entre o crime organizado e as forças de segurança insere a população em um constante sinal de alerta, uma vez que interfere no cotidiano da sociedade. “É urgente a instalação de um gabinete de emergência que reúna representações governamentais, as universidades e a sociedade civil, especialmente as mães e familiares de vítimas da violência estatal, para a formulação de políticas de reorientação da ação policial na Bahia.”, completa o professor Samuel Vida durante sua entrevista à DW Brasil.

A partir do desejo de contribuir para a sociedade no que corresponde a informação e a motivação do incentivo de políticas públicas, a Rádio Excelsior e a FM 106,1 se uniu recentemente entre os dias 09 e 15 de outubro, a fim de que suas programações fossem estimulados pensamentos direcionados à Cultura da Paz. A “Semana pelo Respeito e pela Paz” trouxe consigo uma breve oportunidade de respirar os ares da esperança por um mundo melhor mediante a abordagem de temas como os fatores estruturais da violência, saúde mental, a relação da ciência, tecnologia, a cultura e a paz.

Texto: Luanne Ribeiro

Foto: GOV/BA

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