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Técnica, domínio e IA a partir da Magnifica humanitas

“Magnifica humanitas” é a primeira encíclica de Leão XIV “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial”. O documento foi publicado em 25 de maio passado. Abaixo reflexão do padre Danilo Pinto dos Santos, diretor da Rede Excelsior da Arquidiocese de Salvador, membro do GT de Inteligência Artificial da CNBB e vice-presidente da Sociedade Brasileira dos Cientistas Católicos.

O terceiro capítulo da encíclica Magnifica humanitas (2026) constitui o núcleo da reflexão do Papa Leão XIV acerca da inteligência artificial. A reflexão recolhe inspirações nas escrituras judaico-cristãs ao propor a contraposição entre a Torre de Babel, paradigma do domínio que desumaniza, e a reconstrução de Jerusalém por Neemias, modelo de responsabilidade partilhada.

Neste horizonte, o texto retoma a crítica ao “paradigma tecnocrático” formulada em Laudato si’, advertindo que a técnica, ao converter-se de instrumento em critério, tende a determinar o que é relevante e o que pode ser descartado.

A reflexão distingue a inteligência artificial da inteligência humana. Os sistemas algorítmicos, descritos como “mais cultivados do que construídos”, imitam funções cognitivas e superam o humano na velocidade de cálculo, mas carecem de corporeidade, experiência e consciência moral. Daí decorre uma importante contribuição do Papa Leão XIV ao tema, a saber, a não-neutralidade da IA, uma vez que, inscreve escolhas, prioridades e interesses, exige mecanismos de transparência, responsabilização e regulação pública que não favoreçam a concentração de poder e seus desdobramentos.

Por fim, a proposta de “desarmar” a IA, ou seja, subtraí-la à competição econômica e cognitiva, articula-se com os princípios da Doutrina Social: bem comum, subsidiariedade e justiça. De modo que, o capítulo oferece significativa contribuição ao tema ao reconduzir o problema técnico a uma questão antropológica, ao retomar a interrogação de João Paulo II sobre se a tecnologia torna a vida “mais digna do homem”.

Fonte/Texto: Vaticanews | Padre Danilo Pinto

Imagem: Vaticanews

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